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Ana Pascoal ao Raio X

11 Dezembro 2005

O Que Andamos a Fazer Lá por Fora

 

 

 

 


:: Ana Pascoal ao Raio X ::

Ana Pascoal pertence àquele grupo, cada vez maior, de licenciados portugueses que encontraram no estrangeiro as condições necessárias para o desenvolvimento dos seus projectos de investigação científica e que partiram, além fronteiras, na busca aventureira de novas experiências profissionais e pessoais.

 

Desde muito cedo que Ana Pascoal sentiu o apelo das ciências. Foi no 9º ano que as aulas de Físico-Química da professora Luísa Beato, ainda hoje recordada com carinho e admiração, a seduziram, despertando-lhe o interesse pela área da Física.Terminado o ensino secundário, prosseguiu os seus estudos na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, onde se licenciou em Engenharia Física em 1997. Foi aí que se começou a apaixonar pela área da física aplicada à saúde. O seu projecto final de curso, integrado no Projecto EMERALD – European Medical Radiation Learning Development foi realizado no Instituto Português de Oncologia Francisco Gentil (IPO), centrou-se na elaboração de um manual de competências e boas práticas das actividades dos especialistas em Física Médica dos departamentos de Radioterapia. Nesta área utilizam-se radiações electromagnéticas ionizantes para o tratamento de doenças oncológicas.

O objectivo principal da Radioterapia é “administrar a máxima dose de radiação nos tecido-alvo a tratar, irradiando ao mínimo os tecidos adjacentes e respeitando os limites estabelecidos para os órgãos de risco nas proximidades”, como salienta Ana Pascoal. Ana refere ainda a grande importância dos especialistas em física médica para assegurar a correcta calibração e o planeamento optimizado dos tratamentos realizados com os complexos equipamentos actualmente utilizados para radioterapia. Os especialistas em física médica são ainda responsáveis pela protecção radiológica dos pacientes, funcionários e público em geral nas instituições de saúde.


.: O Mestrado e a Experiência Profissional :.

Entre 1998 e 2001, Ana Pascoal prosseguiu os seus estudos académicos na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, onde realizou um mestrado em Engenharia Física – especialidade Física Nuclear Avançada. A tese final, realizada no IPO e no Instituto Tecnológico e Nuclear em Sacavém, debruçou-se novamente na área da Radioterapia, em particular no estudo dos efeitos destes tratamentos em doentes com próteses fixas metálicas.Durante a realização do seu curso de mestrado, não financiado, Ana Pascoal ainda desenvolveu actividades paralelas como docente no Instituto Superior de Ciências da Saúde-Sul, na Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa e na Faculdade de Engenharia da Universidade Católica Portuguesa, bem como funções de Técnica de Qualidade no Departamento de Metrologia da OGMA, SA – Indústria Aeronáutica de Portugal.

Em 2000 Ana integrou o corpo docente envolvido na fundação da Faculdade de Engenharia da Universidade Católica Portuguesa, em Sintra, tendo vindo a dedicar-se, em exclusividade, a actividades académicas nessa instituição desde a sua fundação.

 

 


 

.: O Doutoramento e os Projectos Futuros ::

Presentemente, com 31 anos, Ana Pascoal desenvolve investigação na área da optimização de equipamentos de radiografia digital, no âmbito de um doutoramento em Ciências Radiológicas (Optimisation of clinical image quality and patient risk for chest radiography with digital imaging systems), no Departamento de Medical Engineering & Physics no King’s College, em Londres, com uma bolsa atribuída pela Fundação para a Ciência e Tecnologia.

“Desde a descoberta dos raios X, em 1895, que o meio utilizado para produzir imagens radiográficas tem sido um detector de ecrã cintilador e película radiográfica, com base no qual são produzidas as bem conhecidas radiografias que se levam para casa em grandes envelopes”, explica Ana Pascoal. Contudo, os desenvolvimentos tecnológicos que se registaram nos últimos anos, nas áreas da informática, da electrónica e dos novos materiais, vieram produzir efeitos céleres nas tecnologias digitais emergentes e os novos equipamentos revolucionaram a medicina.

Consequentemente, a maior parte das tecnologias analógicas está a ser rapidamente substituída pelas digitais. As práticas e técnicas utilizadas, que não acompanharam essa mudança, precisam de ser ajustadas uma vez que os novos detectores são constituídos por novos materiais, na sua maioria semi-condutores, com características muito distintas dos compostos de prata utilizados e materiais cintiladores, utilizados durante décadas, nos detectores convencionais Estes novos detectores afirmam-se como mais eficientes pela potencial redução da dose de radiação recebida pelo paciente, já que no que concerne às radiações ionizantes em diagnóstico terapêutico, há sempre que ter em conta a relação custo/benefício pois “surpreendentemente, a mesma radiação que trata o cancro na Radioterapia, tem também o potencial para o induzir mesmo quando administrada em baixas doses”, conclui Ana Pascoal.

O seu trabalho consiste, então, no estudo das metodologias que optimizem o equilíbrio entre a qualidade das imagens radiográficas produzidas e a dose de radiação recebida pelo paciente. “Esta pesquisa é feita com base na manipulação de parâmetros que o operador possa seleccionar no equipamento (energia, intensidade e filtração do feixe de raios X) pois pretende-se que os resultados deste estudo possam ser aplicados na prática, de modo simples, pelo operador.”

A conclusão do doutoramento está prevista para 2006 e Ana Pascoal anseia já com o regresso a Portugal para dar continuidade à sua docência académica, desenvolver actividades paralelas em ambiente hospitalar na área da sua especialidade e partilhar a riqueza da sua experiência no estrangeiro, “divulgando a área da Física Médica nas suas diversas vertentes, alertando para a sua importância, identificando as suas carências, contribuindo com algumas propostas para melhorar o seu desenvolvimento”.

Bárbara Vale-Frias
11 Dez 2005

Fonte das Imagens: Ana Pascoal

3 comentários

  1. Quero apenas acrescentar que a Ana para alem de muito boa profissional, é muito boa amiga e uma pessoa muito bem formada e completa!
    Digo-o com todo o conhecimento de causa, pois sou amiga dela desde sempre…
    Estou orgulhosa do seu trabalho e de ter a sua amizade.
    Joana


  2. estou orgulhosa por ter uma priminha assim…muito decidida, empenhada e acima de tudo uma pessoa 5*****!!!
    Selma Pascoal


  3. Os meus votos sinceros de muitas felicidades para Ana Pascoal para que conclua os seus estudos e que regresse a Portugal para aplicar aqui os seus conhecimentos.
    Um Feliz Ano de 2006.



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