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Imperadores marcham num deserto de gelo

17 Novembro 2005

:: Imperadores marcham num deserto de gelo ::

As luzes no grande auditório da Culturgest, em Lisboa, apagam-se. Mais de 500 miúdos irrequitos e, talvez, uns 50 adultos partilham aquele momento…

Um e outro, e mais outro, os Pinguins Imperadores saltam para fora de água, aterrando e deslizando no gelo da Antártida. Depois param e esperam… Esperam até que o último pinguim chegue. Quando todos – centenas – estão prontos, um deles inicia a «Marcha» e partem uns atrás dos outros. Ao longe, traçam quilómetros de uma linha negra que rasga o branco do gelo polar.

No final da caminhada, espera-os a dança do amor e da morte, num dos locais mais hostis da Terra, onde o Inverno dura 9 meses e existe apenas uma imensidão gelada. Os machos são esperados pelas fêmeas, que irão lutar por eles. Formam-se os pares «perfeitos», acasalam e é posto um único ovo. Quando as mães não aguentam mais a fome passam os ovos aos pais e marcham 200 km em direcção ao mar.

Se os ovos tocam no gelo tempo demais, por pouco que seja, a casca racha com o frio e perde-se a cria para sempre. Se tudo correr bem, os machos chocam os ovos durante três meses gélidos, com temperaturas abaixo dos 40ºC negativos, e exclusivamente com as reservas energéticas acumuladas na alimentação durante o Verão. Ali não há mais vida para além dos Imperadores, que sobrevivem formando um grupo coeso. Os pinguins caminham no grupo, de fora para dentro e de dentro para fora, mantendo o calor necessário à manutenção de vida.

Entretanto, as fêmeas saciadas voltam a marchar em direcção à prole e os machos cuidam dos pintos nos primeiros dias. Se as fêmeas não tiverem chegado eles têm de partir para o mar, para não morrer de fome, abandonando as crias à sua sorte. Se tudo der certo, as mães chegam a tempo com alimento e os pintos crescem durante uma Primavera branca, sem flores.

Um dia, quando já estão suficientemente fortes, os jovens pinguins partem para o oceano e só voltam àquele local, quatro anos depois, para seguirem o ciclo de vida da sua espécie.

As imagens arrebatadoras – belas e ao mesmo tempo a cruéis – e a narração feita na primeira pessoa, acompanhada de música envolvente fazem deste filme um dos mais extraordinários documentários de vida selvagem, que já tive o prazer de assistir.

«A Marcha dos Pinguins» foi filmado por Luc Jacquet na Antárctica, durante 14 meses. Estreou em Portugal no dia 3 de Novembro e foi o segundo documentário da vida animal mais visto de sempre nos Estados Unidos da América.

 

Rita Caré
17 Nov 2005

Fonte das Imagens: C7nema e L’Institut Polaire Français

 

Para conhecer mais…

 

Para outra perspectiva sobre este documentário (deveras interessante e pertinente), o “Caminhos do Conhecimento” sugere uma visita ao post “March of the Penguins” de Vítor Barbosa no blogue Conta Natura.

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